Espectativas (pessoais) Verão 2011

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Hoje, segunda-feira, às 21:21. Ilana (Azeneth) me liga do Frei Caneca perguntando se não vou para o desfile do Weider (Silveiro aka Purpure). Eu, recém-saída do banho, com touca na cabeça abdiquei do prestígio semestral que prestamos a ele por motivos de força maior. Assim como os recadinhos que nossas mães mandavam para as professoras no tempo da escola quando ocorria algo quase impronuciável, a “força maior” do lado de cá fica por conta de:

1. O cansaço diário. Trabalho, faculdade, pós e muito trânsito não é rojão fácil. Para chegar em casa depois de um dia de labuta e preparar o kit roupa+picumã+make ao invés de deitar na cama e esfriar o corpo é mais difícil ainda. Sem falar no plus, o carão, que por mais que todos (incluso eu) abominem é necessário ter guardado em uma situação dessas.

2. O trabalho gratuito. Tá. Gratuito em partes pois taria trabalhando para mim mesma. Ao mesmo tempo que esteja gerando mídia espontânea para o evento em um veículo especializado em ganhar niente. Que tal? O paradoxo foi um dos maiores fatores que me levou a optar pela cobertura de casa, por mais que more a duas quadras do Frei Caneca. Sem falar que em estações onde a cobertura é mais em tempo real do que nunca (vide streaming e afins) o efeito será como se estivesse lá.

Essa temporada sinto que as coisas fluirão mais por amor ao ofício do que necessidade de trabalho, sabe como? Pessoalmente, durante o inverno 2010 estava numa voracidade para abastecer meu portfólio, mesmo insatisfeita com o metier de (jornalismo de) moda. Parece até engraçado qualquer relato de frustação, logo meu, dona de um blog com “abuso” no meio do nome. Porém, de vez enquando precisamos de férias da família Carão, se é que me faço compreender. Com o novo emprego, que mexe mais com publicidade do que qualquer outra coisa, tudo se mostrou mais fluido. Com isso a moda veio à tona sem ansiedades, só pela mera – e breguíssima, diga-se de passagem – paixão por escrever.

Não farei promessas, até porque ninguém deve tá esperando nada. Só espero captar o melhor dessa temporada. Agora, se as marcas conseguem ir além da passarela… Ah, isso é outra história.

Questionamentos Academicos – Parte 1

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Para evitar a depressão de domingo, nada melhor do que pensar no tema da monografia da pós, certo? Funciona às vezes, principalmente quando no fundo você sente aquela paixãozinha porque sabe que estuda algo que ama. E mesmo que haja alguns dramas do meio do caminho, no final não haverá orgulho maior do que uma mono toda bem feitinha. Falou a nerd.

Já que o assunto é drama, vou relatar o da vez. Daqui a mais ou menos um mês terei de entregar um ensaio acadêmico com o tema da minha mono da pós de jornalismo cultural na FAAP. A trick part é que, além de não ter uma temática definita, ainda terei de relacioná-la com um dos conteúdos do módulo de Teoria da Comunicação I. E, acredite, dentro da cabeça culturete-filha-da-USP da professora, poucos tópicos se tornam interessantes.

Optei por dar prioridade ao tema, não só por ser o ponto de partida mas para saber se ele envolveria moda ou não. A priori essa seria uma pergunta retórica. Claro que teria moda no meio! É a minha formação original, ouras. Na prática, as coisas não são tão fáceis assim… Pensando em temas atuais o primeiro que vem a minha cabeça são o boom dos desfiles trasmitidos ao vivo. Mas há material de pesquisa sobre esse fenômeno? O fato de ser surperrente atrapalha, também porque nos estudos acadêmicos de moda o foco está na relação do corpo com sua segunda pele, a roupa. Se alguém encontrar algum estudo que se assemelhe a essa nova abordagem, não esqueça, estarei aqui. Por outro lado, a transmissão online vai de encontro com a narrativa transmidiática tão falada durante as aulas. Por mexer com vários meios simultaneamente, o live streaming das semanas de moda se encaixaria em um dos viéses do módulo, transformando-se em um questionamento até plausível.

Em contraponto há O Mito da Beleza, livro da minha amada-e-idolatrada Naomi Wolf (Promiscuidades – A Luta Secreta Para Ser Mulher está no meu coração). Paixão antiga que há temos me instiga a desevendar mais sobre o subtítulo de sua mais famosa obra. “Como as imagens de beleza são usada contra as mulheres”, desperta aquele feminismo adolescente, bem riot grrrl, e ao mesmo tempo se mistura com o deslumbre pelas mídias. Ainda não li O Mito mas já arrisco uma pergunta: “Como isso se dá hoje em dia?”. Tutoriais de maquiagem no Youtube? Realidade aumentada – tipo Sisheido Cosmetic Mirror, que simula o make no rosto? Ou seriam aplicativos de iPhone, que executa ambas as funções e ainda tem o diferencial de ser portátil? Um dos poucos problemas que resguardam esse tema é o medo de soar mais com um trabalho antropológico/feminista do que jornalístico…


Demonstração do Cosmetic Mirror da Sisheido: realidade aumentada explodando a industria da estetica

Independente de quais forem as questões finais, só serão respondidas daqui a alguns meses, obviamente no captítulo de conclusão. Nesse meio tempo estou aceitando dicas, sugestões e até puxões de orelha para objetos de pesquisa que não haviam nem passado pela minha cabeça.

Tutoriais desejo da TopShop Make Up

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Muito tem se falado sobre a linha de maquiagem da Topshop lançada em março mas nada com os videos a seguir. Oproveitando a identidade visual bafo que a rede britânica fez para a TopShop Make Up, foram produzidos quatro tutoriais para instigar a venda dos produtos.

A atmosfera teenager é proposital e, acredite ou não, contagia. Separe cinco minutos do seu dia para assistir todos e ficar desejando belezuras como o lápis de olho grosso (crayon, segundo a marca)Midnight ou o Sun Shower, o glitter Gilt ou o batom Vamp.

Crise editorial: a gente ver por aqui.

Venho me frustando com o jornalismo de moda online há um tempo. Primeiro, pois os sites-referência, gringos ou não, apenas tem as mesmas notícias escritas com palavras diferentes ou traduzidas. Todos ficamos sabendo do filme sobre o Halston ou sobre a cruise collection da Chanel quatro, cinco vezes ao dia. Qual a necessidade? Falta um filtro que selecione apenas as boas informações. Segundo, nunca fui muito de falar sobre as novas do dia, estilo (vista isso, use aquilo), tendências, it-girls ou maquiagem. O que resulta na pergunta: onde fico nessa história?

Mesmo sendo pioneiro entre os blogues de moda cearenses, o cara do abuso nunca foi essas coca-cola toda. Nunca me dediquei a função de blogueira como deveria nem nunca consegui achar uma abordagem que funcionasse bem para mim – ocupada com a vida offline – e para o próprio veículo. Com o tempo fui descobrindo que criticidade não é a melhor das pedidas e simultaneamente ficando desgostosa com posts alheios sobre desfiles que apenas os descreviam, por exemplo. Porém, a vontade de blogar continuava aqui, viva, nem se fosse em forma de culpa, por não ter escrito um post se quer a dias.

Nas duas últimas semanas esse quadro se modificou pois passei a trabalhar fora  de casa. Sem falar me meu trabalho atual nada tem haver com moda, o que me distancia ainda mais daqui e da minha formação original. Quem mora em São Paulo sabe o tempo que perdemos com atividades simples como telefonemas, filas e voltar para casa. Fator que dificultou ainda mais minha vida como editora deste veículo, se é que posso me entitular assim.

Esse, assim como o anteiror, é um post que pode até ter saido de algum lugar mas com certeza não chegará a lugar nenhum. Deixo apenas a confição dessa (pequena) crise editorial que o blog transita e a crença de que ela venha como oportunidade e não como declínio completo. Se bem que muitas fotos e quase nenhum texto também seria uma espécie de declínio completo… Well, i’ll figure it out!

Styling diferente, mesma beleza

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Acima, lookbook de maio da Zara. Na sequência, a coleção de Zac Pozen para Target

Padronização nunca foi um problema para a cultura de massa. Até Andy Wahrol brincou com o conceito de serial de forma (até) bem amena. Na moda não seria diferente. Quantos desfiles da Gucci na década passada vimos com modelos usando o mesmo cabelo e maquiagem, resumindo-as a madeixas lisas e bocas cheias de gloss? Sem falar nas inúmeras marcas menores que “se inspiravam” e aplicava as mesmas escolhas estéticas em suas campanhas e catálogos.

Ninguém disse que isso seria diferente em pleno ano 2010. Também ninguém está pedindo que seja. Apenas não queriamos que acontecessem casos como esse da Zara e Target. A coleção de maio da rede espanhola tem o mesmo make minimalista e cabelos propositalmente desalinhados que a gigante americana. Coindência? Cópia? São questionamentos pouco relevantes. O que realmente importa – e entristece – é perceber que os magazines estão apenas colocando suas peças em um manequim universal ao invés de projetar a imagem completa de sua consumidora. Talvez esteja exagerando e a face nude com picumã amassado seja apenas tendência? Ou talvez optar pela mesma beleza em seus mais recentes lookbooks seja uma maneira de generalizar ainda mais o público-alvo? Fica a dúvida.

Ironia fina e ilustrada

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Há tempos queria falar do quanto gosto do trabalho de aleXsandro Palombo. Admirar gente que dar a cara para bater é comigo mesmo. aleXsandro trabalha como estilista e desde 2007 se dedica a ilustração, publicando tudo no seu blog, o Humor Chic. Com um traço que fica entre a charge e o desenho de moda, o italiano critica os bafos do métier de forma sarcástica e até elegante. Quero tudo estampado em camisetas já!

http://www.humorchic.blogspot.com/

Batons, esmaltes e o boom dos blogs de beleza

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Agosto de 2009. Corri para o Rio no anseio de aproveitar os últimos dias de liberdade com minha grande amiga de infância. Numa das voltas, ela, sua roommate e eu começamos a falar deliberadamente sobre maquiagem, assunto que mal chegava aos nossos tópicos. A verborragia constatou uma coisa em comum: eramos guiadas pelos mesmos blogs, os já clássicos Dia de Beautè, 2 Beauty e Garotas Estúpidas. Todas nós queriamos doações de produtos poucos usados pelas topblogueiras e acima de tudo, um suprimento vitalício de Studio Fix. Por coincidência, indo para casa esbarramos com a loja da MAC em Ipanema. Mesmo fechada a vitrine estava ali e três pós-adolescentes sedentas por embelezadores automáticos não deixaram de babar só de olhar. Em casa, fizemos a sessãozinha “uma maquieia a outra”, assim, bem teenager. Nem quando era mais nova fazia esse tipo de coisa. Por que agora, depois de velha, me dei ao desfrute de experiementar corretivos, blushes e sombras alheias? Como isso se tornou tão fascinante para mulheres que já se maqueiam há anos?

Março de 2010. Sala de aula nunca foi o lugar menos hostil para fazer amizades. Quando vejo, estou trocando informações sobre manicure com uma colega de trabalho. Instantaneamente viramos amigas de infânicia. Lançamentos, cores preferidas, tudo sobre o efeito matte e claro, blogues. Unha Bonita e Mão Feita estão no topo. Não acreditamos que óleo de banana seja benéfico para esmaltes endurecidos, se pudessemos teriamos comprado toda a coleção da Opi mas com certeza nos contentaremos com os novos opacos da Risquè. Ressurge uma variação da pergunta de meses atrás. Faço as unhas desde que me entendo por gente e por que só agora os esmaltes se tornaram objetos de desejo? Seria tudo culpa da Chanel? O Jade seria o pivô? E o Particuleirè?

O boom dos blogs de beleza estão no banco dos réus. Para moças é fácil relatar suas feminices estéticas e a ferramenta blog calhou com a necessidade de trocar idéias com as colegas e apresentar seus truques particulares. Até Courtney Love tem tutorial de maquiagem no Youtube. Eu mesma estou me coçando aqui para não publicar tudo que comprei com louvor no Briggetes Boutique. Morro de orgulho do batonzão coral (temdêmsiaaan) da YSL de US$ 12 e do estolojo da Bobbi Brown por US$ 26. Meu foco não é esse.


Courtney Love em seu primeiro e último tutorial de maquiagem

Seriam as coleções de inverno gringas frutos dessas vontades? Marc Jacobs, Prada e Louis Vuitton apertaram o botão da feminice e projetaram rainhas-do-lar cinquentinhas como arquétipos da temporada. Depois das working womans, o pós-crise parece ser feito de mulheres que priorizam a feminilidade sem perder o intelecto. Sem falar que é bem mais fácil – principalmente em uma economia em reconstrução – comprar esmaltes e batons do que peças de uma linha de prêt-a-porter. São pequenos luxos que além de fáceis de usar deixam qualquer uma arrumada sem maiores esforços. Não há quem discorde que maquiagem e manicure podem levantar como destruir um look. Por exemplo, uma produção básica com make e mãos impecáveis dão um ar de frescor, aparência clean. Já o oposto passa a impressão de descuido, beirando a falta de amor próprio. Partindo dessa premissa, a indústria da beleza e  todos seus subprodutos se mobilizam. Chovem os cursos de automaquiagem, blogueiros de beleza viram celebridades e festas como a Make Me Up no Alley Club em SP, onde as frequentadoras chegam cedo para fazer maquiagem e unha, viram hype. Tudo movido à vaidade da mulher hipermoderna, que tem os cosméticos como seus brinquedos favoritos.

http://www.youtube.com/watch?v=IWjWQP4R4lQ&feature=player_embedded

Cafuchella

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Todo ano coolhunters batem ponto no festival Coachella atrás de transeuntes descolados que sirvam como projetores de tendências. Os trendsetters por sua vez são um grupo formado por artistas semi-ripongas (olá Devendra Banhart), atores fashionistas e hipsters no geral.  Até aí nada de novo. O problema é que com o meu coolhuntismo amador acabei detectando a tendêmssiannn de ser cafuçu. Não há como descrever. Nessas horas só resta fazer a Cartier-Bresson e esperar que as imagens falem mais que mil palavras.


Fotos: Lexie Moreland (WWD) / Reprodução

Tome nota, Anna Wintour

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Sempre fui Team Carine Roitfeld. Mesmo com toda aquela acusação de haver pego o casaco Balenciaga para usar como referência na sua consultoria para Max Mara. Além de serem águas passadas, a editrix da Vogue Paris continua executando seu trabalho com maestria e ensinando com quantas celebridades se faz uma capa interessante.  Depois dessa, a edição de novembro/2009 da franquia americana nunca pareceu tão ruim.

Vogue Paris Maio 2010 – Especial Penélope Cruz
Foto: Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin

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