Hoje, segunda-feira, às 21:21. Ilana (Azeneth) me liga do Frei Caneca perguntando se não vou para o desfile do Weider (Silveiro aka Purpure). Eu, recém-saída do banho, com touca na cabeça abdiquei do prestígio semestral que prestamos a ele por motivos de força maior. Assim como os recadinhos que nossas mães mandavam para as professoras no tempo da escola quando ocorria algo quase impronuciável, a “força maior” do lado de cá fica por conta de:
1. O cansaço diário. Trabalho, faculdade, pós e muito trânsito não é rojão fácil. Para chegar em casa depois de um dia de labuta e preparar o kit roupa+picumã+make ao invés de deitar na cama e esfriar o corpo é mais difícil ainda. Sem falar no plus, o carão, que por mais que todos (incluso eu) abominem é necessário ter guardado em uma situação dessas.
2. O trabalho gratuito. Tá. Gratuito em partes pois taria trabalhando para mim mesma. Ao mesmo tempo que esteja gerando mídia espontânea para o evento em um veículo especializado em ganhar niente. Que tal? O paradoxo foi um dos maiores fatores que me levou a optar pela cobertura de casa, por mais que more a duas quadras do Frei Caneca. Sem falar que em estações onde a cobertura é mais em tempo real do que nunca (vide streaming e afins) o efeito será como se estivesse lá.
Essa temporada sinto que as coisas fluirão mais por amor ao ofício do que necessidade de trabalho, sabe como? Pessoalmente, durante o inverno 2010 estava numa voracidade para abastecer meu portfólio, mesmo insatisfeita com o metier de (jornalismo de) moda. Parece até engraçado qualquer relato de frustação, logo meu, dona de um blog com “abuso” no meio do nome. Porém, de vez enquando precisamos de férias da família Carão, se é que me faço compreender. Com o novo emprego, que mexe mais com publicidade do que qualquer outra coisa, tudo se mostrou mais fluido. Com isso a moda veio à tona sem ansiedades, só pela mera – e breguíssima, diga-se de passagem – paixão por escrever.
Não farei promessas, até porque ninguém deve tá esperando nada. Só espero captar o melhor dessa temporada. Agora, se as marcas conseguem ir além da passarela… Ah, isso é outra história.
