Em 2009 o Refinery29 publicou dois diagramas de como ser fotografado no Sartorialist e no The Selby. O que eu mais gosto desses manuais ilustrados é a desmistificação do hype dos blogues em questão. Não dá pra ficar explicando piada. É seguir as setinhas até o final. Meu preferido é o do Scott Schulman, que “escancara” o fato de que se você não for a Giovanna Battaglia ou um velho rico euroupeu suas chances de aparecer no blog de streetstyle careta reduzem a zero.
Para o resto de 2010, esperamos o do Face Hunter e da Garance Doré.
Todo ano coolhunters batem ponto no festival Coachella atrás de transeuntes descolados que sirvam como projetores de tendências. Os trendsetters por sua vez são um grupo formado por artistas semi-ripongas (olá Devendra Banhart), atores fashionistas e hipsters no geral. Até aí nada de novo. O problema é que com o meu coolhuntismo amador acabei detectando a tendêmssiannn de ser cafuçu. Não há como descrever. Nessas horas só resta fazer a Cartier-Bresson e esperar que as imagens falem mais que mil palavras.
Captar o espírito do tempo e transformar em desejo de consumo não é para qualquer um. Já observar o que tão se usando por aí qualquer um consegue fazer. Inclusive yo. Por que não? O fato é que ando observando com afinco que mais cedo ou mais tarde surgiria uma listinha de elementos que repetem. A frenqüência com que isso acontece é tamanha que, além de não serem novidade para ninguém, ainda acabam soando medíocres e gerando um abusinho em quem não é tão leigo assim. Indo ao que interessa:
Esmate Colorama 40 graus: Nas mãos e nos pés, é o substituto do “Gabriela” da Risqué. Pode ser considerado o maior gerador de fashion victins por semana. Antes, a menininha que só usava “Renda” ou “Paris” (ou os dois juntos) agora se arrisca na versão mais aberta dos vermelhos já lançado para unhas.
Calça Baggy à la Kate Holmes (ou Boyfriend Jeans): Ontem mesmo ouvi uma moça no elevador: “Ai, como é bom calça folgada. Ainda bem que voltou, né?”. Destroyed ou não, elas ainda não tomaram (nem vão tomar) totalmente o lugar da skinny-inny-inny mas supervão ser uma alternartiva para quem não quer o aperto da skinny nem o despojamento total e completo da saruel, nosso próximo item.
Saruel: Como diz minha mãe quando uma coisa está “empestada”: couro de vaca. Tem em todo canto. E de todo jeito. Eu mesma fui uma vítima (mentira. comprei porque quis) do saruelzismo. Comprei duas: uma de viscolycra preta e outra de cetim azul da Zara, com a maior cara de pijama, a qual uso como minha referência (secreta) ao verão 2009 da Dolce & Gabbana, já que não rola comprar um original. Pior mesmo são as versões étnicas com prints africanos, marroquinos e afins. Há quem diga que não há nada mais datado que as tais calças com cavalo baixo. Discordo. Daí o item seguinte.
Gladiadoras: Quando você jura que o Ghesquierè não poderia lançar nada tão arrebatador e epidêmico como foi o lenço palestino, ele vai lá e fecha de novo com a nossa cara. Prova são as infinitas variações da sandália que há um ano perdura nos pés de todas as castas. Desde Gwenth Pawtrol, que as sacou para contrastar com vestidos meigos até à girl next door as utilizas com completo da dupla shortinho jeans + bata. Sem falar quando no lugar do shortinho se encontra uma saruel. Aí sim se vê um look datado.
Sapatilhas: Complementa a nova baggy tanto quanto a gladiadora forma um conjutinho com a saruel. Juntar as duas foi o styling mais esperto de Holmes ao unir a calça do namorado com o modelo de sapato que já era frebe nas ruas e redcaperts. Deu no que deu.
Mechas Californianas: Outro elemento que eu caí feito um patinho. Você vai pro salão na onda de iluminar os cabelos, dá mais vida ao rosto e blablabla e quando saí de lá repara que na rua teve um monte de gente com a sua mesma idéia.Genial, não? Até a Suzana Viera fez. Ou seja: jogue preto-azulado agora nas madeixas e faça a grunge ressentida porque os nineties tão aí, como eu já cansei de avisar. Bem doida. O bom mesmo é prosseguir com o rosto cheio de luz e na via das dúvidas brincar dizendo que se inspirou na loirice do Kurt Cobain.
Por viver em uma era onde Scott Schuman (mais conhecido pela The Sartorialist) é pago pelo Style.com para clicar passantes com styling escândalo no circuito NY-Londres-Milão-Paris enquanto as passarelas fervem é até vergonhoso para o Ceará não ter um blog de streetstyle.
Em uma intenção explícita de cara-a-tapismo, Marco, Clarissa e Flávio emergiram com originalidade o Trashionistaz. O nome não foi só um o obstáculo inicial como uma espécie de manifesto singular para (de) nominar os estilosos da terra onde “todo-mundo-‘manga’-de-todo-mundo”, já que quem ousa um pouco à mais é taxado de, no mínimo, estranho.
Ainda não captou a idéia? O trio saí noite à dentro com um canhão semi-profissional da Sony em busca dos bem vestidos. A variedade desses biotipos em Fortaleza é confirmada pela atualização da página, tão diária quando se desejava.
Como há Louis Vuitton que vem para o trem, a periodicidade gera exclusivismo que por sua vez se transforma em statement. Traduzindo: tornar-se post no Trashionistaz não é só colocar um kaffiah no pescoço que tá resolvido. A busca pelo graal do estilo nas ruelas da capital cearense é incansável. Festas na Ruth Aragão, shows no Hey Ho e o bom e velho asfalto se fazem palcos ideais para os que entrarão nesse “hall da fama” virtual.
Muitas vezes meu observador de sinais falha e só venho embarcar na tendência com o bonde andando. Acabo suprindo a falta de perceção com aprofundamento, mergulhando fundo no que tá rolando.
Com a onda superheroes foi assim: não me preocupei com o que ia ser exposto no Metropolitan de NY, não reparei que a capa da atual Vogue US é a Gwyneth Paltrow segurando a máscara do Homem de Ferro e principalmente no editorial da Harper’s Bazaar de março (acima), a qual eu comprei, li e reli sem jamais perceber que as imagens com a Lindsay Lohan queriam dizer algo.
Em linhas óbvias, dia cinco ocorreu o Met Gala, que levou dezenas de celebs a pedirem emprestado as criações de inverno (que nem sonham com as lojas ainda) ou a irem em busca de iguarias vintage para serem julgadas por tablóides e blogueiros.
Porém o que nos interessa aqui é o que está sendo exposto. Como mostra no vídeo do NY Post, de sete de maio à primeiro de setembro, o Costume Institute do Met será ocupado com a Superheroes: Fashion and Fantasy, com curadoria de Andrew Bolton, que coincidentemente trabalha na Condé Nast. Nas palavras dele, tudo gira “sobre a transformação da identidade através da moda, através da roupa, através da aparência”.
Nada mais oportuno do que enfileirar croquis e peças relacionadas ao heroísmo – indo de Thierry Mugler à Speedo – como não perder a oportunidade de mostrar os figurinos originais do Superman de 1978, da trilogia do Homem Aranha e o inspirador collant preto da Mulher Gato em Batman – O retorno, foi o fazer justamente no ano em que estreiam filmes como Homem de Ferro, Hulk e Batman – O Cavaleiro das Sombras.
Apoiada pelo quarteto Giorgio Armani, George Clooney, Julia Roberts e Anna Wintour, a mostra está organizada com os super-heróis separados por temáticas. Homem-Aranha e Superman, por exemplo, fazem parte de ‘O Corpo Gráfico’. já o duo Batman e Mulher-Gato, ‘O Corpo Fetichista’. “Enquanto Batman recorre a um arsenal de engenhocas diversas para poder combater o crime, Homem de Ferro é protegido por uma armadura corporal completa. Ambos funcionam como metáforas da paranóia defensiva”, diz a exposição. Antagonistas também não perdem a sua vez, já que, além de terem super-poderes, em geral são mais sexies.
O show não estaria completo se na Vogue America não houvesse um editorial com o tema. Grace Coddington conseguiu resumir Daring Do o que se encontra no Met e os cliques de Craig McDean só aumentaram o desejo de voar para NY e conferir tudo de perto.
Sempre recorrendo ao auxílio do melhor do streetstyle para confirmar se mais uma vez os early adopters já estão soltos por aí, acabei por encontrar diverentes tipos de heróis urbanos que também se subdividem por ‘seus trajes’.
Para os que sentem envoltos por esse clima e não conseguem controlar suas mãos longes do consumo, seguem algumas dicas rápidas: Carteira Luella (spring/summer 2008) por £295 no netaporter.com
Vestido Alexander McQueen (spring/summer 2008) por US$ 5.061 também no netaporter.com
Livro original da exibição publicado pelo Met. À venda na amazon.com
Almanaque dos Quadrinhos serve para quem quer se aprofundar não só nos heróis em si como na origem desses e de outros personagens. Via internet indico a Livraria Cultura.
Quem também optou pela Wonder Woman foi Thaís Gusmão, que criou uma coleção inteira de camisetas, roupões, robes, calcinhas e soutiens baseada na heroína, que se divide entre as linhas Basic (toda em algodão), Silver (onde a prata metalizada predomina), Gold (metalizado dourado), Premium (com cara de vintage) e a Cartoon (onde a HQ é estampada no tecido. vide robe da foto acima).