Para evitar a depressão de domingo, nada melhor do que pensar no tema da monografia da pós, certo? Funciona às vezes, principalmente quando no fundo você sente aquela paixãozinha porque sabe que estuda algo que ama. E mesmo que haja alguns dramas do meio do caminho, no final não haverá orgulho maior do que uma mono toda bem feitinha. Falou a nerd.
Já que o assunto é drama, vou relatar o da vez. Daqui a mais ou menos um mês terei de entregar um ensaio acadêmico com o tema da minha mono da pós de jornalismo cultural na FAAP. A trick part é que, além de não ter uma temática definita, ainda terei de relacioná-la com um dos conteúdos do módulo de Teoria da Comunicação I. E, acredite, dentro da cabeça culturete-filha-da-USP da professora, poucos tópicos se tornam interessantes.
Optei por dar prioridade ao tema, não só por ser o ponto de partida mas para saber se ele envolveria moda ou não. A priori essa seria uma pergunta retórica. Claro que teria moda no meio! É a minha formação original, ouras. Na prática, as coisas não são tão fáceis assim… Pensando em temas atuais o primeiro que vem a minha cabeça são o boom dos desfiles trasmitidos ao vivo. Mas há material de pesquisa sobre esse fenômeno? O fato de ser surperrente atrapalha, também porque nos estudos acadêmicos de moda o foco está na relação do corpo com sua segunda pele, a roupa. Se alguém encontrar algum estudo que se assemelhe a essa nova abordagem, não esqueça, estarei aqui. Por outro lado, a transmissão online vai de encontro com a narrativa transmidiática tão falada durante as aulas. Por mexer com vários meios simultaneamente, o live streaming das semanas de moda se encaixaria em um dos viéses do módulo, transformando-se em um questionamento até plausível.
Em contraponto há O Mito da Beleza, livro da minha amada-e-idolatrada Naomi Wolf (Promiscuidades – A Luta Secreta Para Ser Mulher está no meu coração). Paixão antiga que há temos me instiga a desevendar mais sobre o subtítulo de sua mais famosa obra. “Como as imagens de beleza são usada contra as mulheres”, desperta aquele feminismo adolescente, bem riot grrrl, e ao mesmo tempo se mistura com o deslumbre pelas mídias. Ainda não li O Mito mas já arrisco uma pergunta: “Como isso se dá hoje em dia?”. Tutoriais de maquiagem no Youtube? Realidade aumentada – tipo Sisheido Cosmetic Mirror, que simula o make no rosto? Ou seriam aplicativos de iPhone, que executa ambas as funções e ainda tem o diferencial de ser portátil? Um dos poucos problemas que resguardam esse tema é o medo de soar mais com um trabalho antropológico/feminista do que jornalístico…
Demonstração do Cosmetic Mirror da Sisheido: realidade aumentada explodando a industria da estetica
Independente de quais forem as questões finais, só serão respondidas daqui a alguns meses, obviamente no captítulo de conclusão. Nesse meio tempo estou aceitando dicas, sugestões e até puxões de orelha para objetos de pesquisa que não haviam nem passado pela minha cabeça.