Todo ano coolhunters batem ponto no festival Coachella atrás de transeuntes descolados que sirvam como projetores de tendências. Os trendsetters por sua vez são um grupo formado por artistas semi-ripongas (olá Devendra Banhart), atores fashionistas e hipsters no geral. Até aí nada de novo. O problema é que com o meu coolhuntismo amador acabei detectando a tendêmssiannn de ser cafuçu. Não há como descrever. Nessas horas só resta fazer a Cartier-Bresson e esperar que as imagens falem mais que mil palavras.
Não sei o que bateu na moda nessa sexta que tudo pareceu tediante. Toda página que eu abria só falavam das mesmas coisas: o figuirino da nova turnê da Madonna, a possível linha do McQueen para Target, campanhas gringas do inverno 2008, as calças baggy de Katie Holmes e o tal Rio Summer. Como há males que vem para o bem, acabei encontrando o momento perfeito para explanar sobre o The Long Blondes, algo que quero fazer tem certo tempo.
Desde março, quando foi lançado o “Couples” que venho protelando escrever sobre. Primeiro pra evitar cair no chavão “banda-estilosa-o-suficiente-para-ganhar-post-em-blog-de-moda”. E segundo para não perder o foco entrando no mérito da música, área que apenas dou umas pinceladas, sem grandes conhecimentos.
Ao contrário do que se pensa, a ânsia de falar do Long Blondes não se originou no figurino dos britânicos e sim da semelhança que os músicos tem com o Pulp. Ambas as bandas vieram de Sheffield, produzem um indie rock de melodias contagiantes com letras não tão coloridas assim e exalam um atmosfera nerd. E por mais que a tecladista Emma Chaplin, a baixista Reenie Hollis e o baterista Screech Louder sejam fãs assumidos do Pulp, o LB não demonstra nenhuma pretensão em fazer nos anos 2000 o que a turma de Jarvis Cocker fez nos 90.
Na verdade, eles foram ofuscados pelo hype Arctic Monkeys (também oriundo de Sheffield) ter largado na frente e virado sucesso logo em 2005. Somente no ano seguinte o LB lançaria Someone To Drive You Home (produzido pelo ex-baixista do Pulp, Steve Mackey), o disco que os colocaria no mapa e na NME, com direito a sitações como “a banda sem contrato mais quente da Inglaterra”.
Diferente do Arctic Monkeys, o Long Blondes conta com liderança de respeito. A personalidade de Kate Jackson dentro e fora dos palcos fala por si só: as performances sutilmente sexies conquistam os rapazes enquanto versos como “Você tem apenas 19, pelo amor de Deus/Oh, você não precisa de um namorado”, de “Once and Never Again”, ou “Mais um fim de semana sem maquiagem, mais uma noite sozinha”, de “Weekend wihtout Make Up” garantem a fidelidade das moças.
No fim das contas, a frontwoman consegue ter a mesma influência que Cocker, pois além do sex appeal e de expressarem nas músicas o que o público gostaria de falar, ambos são complementados pela estética característico. Enquanto nos 90′s Cocker foi responsável pelo estilo weirdly cool (uma mistura sofisticação e estranheza ao mesmo tempo), Kate representa os 2000′s com looks retrô-modernosos.
De tanto aparecer nos shows usando tees com cara de brechó, lenços, scarpin com meia soquete e boina, a vocalista os tornou elementos de auto-referência. Ou seja, daqui pra frente fica difícil dos fãs verem um pedaço de pano turquesa amarrado no pescoço e não lembrar de Kate. Prova de que ela é uma mulher de detalhes está na imagem abaixo que exibe pernas ótimas sustentadas por saltos Louboutin, tatuagem vintage e, claro, unhas turquesas.
Se de fato Kate terá o mesmo poder na música e na moda que Jarvis teve, só vamos saber daqui há uns dez anos. Até lá estaremos supridos com o charme vitoriano-kitsch do video de Guilt, novo single da banda:
no 12º Fórum de Design e Tecnologia, o Walter Rodrigues disse uma coisa óbvia enquanto falava das pesquisas e tendências que influênciaram o estilo de Ronaldo Fraga. sobre esse, o estilo, citou referência dos anos 50/60 no Brasil, focando a bossa nova e os carioquismos. a máxima da noite foi quando Valter citou a inveja ferrenha dos franceses por não ter sido eles os inventores da bossa. afinal, a sacada de misturar jazz e samba não é pra qualquer um. dito isso, meus olhos e mente se abriram, notando uma vingancinha por parte da França. essa se chama Nouvelle Vague. não, não é a trupe de cineastas parisienses dos 60′s com ânsia de revolucionar a sétima arte. pouquíssimo a ver com Godard e Truffaut. o Nouvelle Vague de hoje transforma músicas pós-punk, darks e new wave dos 80′s em doces bossas, com direito a todos os elementos brasileiros. por essa os colonizados da terrinha não esperavam, não é?
além de tardia e sem falhas, a vingança francesa é certeira e cheia de patriotismo (supervisivel na sacada do nome), mexendo com as duas mais sólidas tendências que já rolam há mais de um ano: 60′s e 80′s. a banda já existe desde 2003 tendo o primeiro album lançado apenas no ano seguinte. desde então já foi trilha de filmes e inúmeros comerciais. o sucesso absurdo entre os fãs obscuros/indies nos last.fm da vida, para a pane dos mesmos não deve demorar muito para chegar no mainstream. afinal, com tanta precisão sonora juntamente com a conexão perfeita com as trends atualíssimas, o estouro é uma questão de tempo.
por trás de tanta exatidão, há uma brasileira. apresentada pelo singular nome de Eloisia, aposto minhas fichas como que por trás de toda a vingancinha francesa, ela sim é a cabeça da banda. digo isso como um tiro final do que sobrou do meu patriotismo, ou o que seria dele.
o Nouvelle Vague se apropria de um design bem sextie, dedicando uma parte de seu site, a Nouvelle Vague Boutique, a venda de artigos como t-shirts, underwears, bonés e claro, cds. todos com a estética sugerida pela banda. mais francês que isso só barretes vermelhos e cabeças rolando.